
27 anos depois de começar esta grande viagem de vida decidi sentar-me e escrever. Acabei de realizar que a escrita é mais uma forma de alheamento da vida real. Um tipo de refúgio. Não sei ainda se terei a ordem de cá vir muitas vezes. Criei até dois Blogs similares. Um chamei-lhe: "pelas voltas que o mundo dá" e o outro "terras e mundos". A verdade é que queria dar outros nomes mas estavam tomados. Enfim, qualquer nome serve afinal, o que interessa é mesmo o conteúdo, a seriedade e a assiduidade. Sou um pouco (muito!) desorganizada. Esqueço por vezes que sou jornalista e que posso e devo exprimir-me por escrito. Perco-me em ideias, conjunturas, lembranças, fantasias e basta-me. Em raras ocasiões senti a necessidade de partilhar com alguém.
O cheiro da comida entra-me pelas narinas. São 9 da noite e o jantar está a ser preparado por alguém que não eu. Durante muitos anos protestei porque a mim cabia inevitavelmente essa tarefa monótona de tão diáriamente necessária. Afinal, bastava sentar-me e começar a fazer o meu trabalho para a família perceber. Ouço os pratos a bater na mesa de vidro. Preocupo-me. Será que pai e filhos estão a dar conta na cozinha? Ouço o choro do menino do vizinho, assim que a mãe chegou a casa depois de um dia cheio de trabalho. Ainda há pouco me recriminava por a falta momentânea de recursos me obrigar a colocar a minha filha numa escola pública de São Paulo. O que é mais importante? Uma mãe ausente com a conta recheada ou uma presente menos endinheirada . Afinal a escola pública não pode ser o bicho papão que o Brasil pinta. Mais tarde vos conto estas diversidades que o Brasil vive. Afinal, também andei numa assim, sem diferenças de classes nem uniformes. E o balanço é o seguinte: viajei pelo mundo, por mais de 70 países. Falo fluentemente 3 línguas e conheço profundamente a Ásia, na minha opinião, o continente mais belo do mundo. Não concluí o curso de História de Arte, que na verdade era muito chato de se fazer e em troca fui ver o mundo. Talvez por não dever à aparência nem tão pouco à vaidade entrei numa televisão e fui "Menina do Tempo". Aprendi a falar chinês na Capital do Norte (Bei-jing). A visão de uma cópia da antiga máquina de escrever onde com 16 anos bati os primeiros artigos para o Jornal Barcelense, em cima da mesa da redação da teledifusão de Macau, aguçou-me o apetite. Era ali que eu queria estar. 10 anos mais tarde, depois de muitas reportagens, documentários, locuções e edições, bati a porta de casa e entrei no todo-o-terreno. Atravessei as Portas do Cerco por onde tinha entrado 13 anos antes de mochila às costas e embrenhei-me mais uma vez, agora com filhos e marido, por esse mundo afora...a grande viagem de volta ao mundo com a família, estava apenas a começar e mais uma vez não tinha fim definido.
sofia querida mais vale tarde ... não é?
ResponderExcluirvou já fazer-me seguidora!
montes de beijinhos cheios de saudades
Minha linda, parabéns!
ResponderExcluirÉ difícil na internet ler textos longos, e tu conseguiste agarrar-me...
Espero que não deixes este blog para trás...
Eu também resolvi este mês (será coisa destinada a carneiros? :-)) retomar um blog que tinha abandonado há muitos anos... Chama-se cochinilha e está aqui:
http://cochinilha.blogspot.com
beijos grandes
vêmo-nos por aqui...
Continua Sofia.....nós cá estamos, para nos deliciarmos com a tua escrita.
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