quarta-feira, 30 de março de 2011

Amanhã o Long Kei vai fechar para sempre...e agora?



Às vezes damos a volta ao mundo para constatar que o que temos em casa é da melhor qualidade. A minha amiga Isabel que mora em Macau há 18 anos disse-me hoje que quando lá voltar já não vou comer os bróculos com alho do lendário Long Kei, o tradicional restaurante chinês residente num edifício histórico da praça do Leal Senado. Pois é, parece que por ser classificado pela Unesco o prédio foi comprado por 200 milhões por uma empresa Imobiliária de Hong Kong. E lá se vai mais um ícone. Em Macau come-se algumas das melhores iguarias chinesas. E dos melhores pratos de ameijoas e mexilhões que já provei. Estando agora entre o arroz e feijão, que por acaso é bem saboroso, vem-me água na boca ao pensar nessas delícias orientais. Frequentemente os países são ligados ao que lá se come. Por vezes esse hábito tão comum torna-se o principal motivo de uma deslocação ou até longa jornada. Uma certa jornalista inglesa, amiga de longa data, achou o facto tão importante que escreveu o "Food Feast", um livro que celebra os alimentos desde a sua origem ao prato. Acho a ideia genial. Em viagem é frequente encontrarmos outros peregrinos que procuram boa comida por pouco dinheiro. Os grandes génios desse feito são sem dúvida os Israelitas que percorrem quilómetros por um centimo a menos. Mas os Ingleses não lhes ficam muito atrás. Célebres pela sua inata avareza e por serem viajantes inveterados, esticam as economias até ao mais ridículo dos descontos. Comer, passa assim a ser uma actividade de assumida importância para todo o andarilho. A hora do pequeno almoço e do jantar são sagradas. Isto porque ao fim de algumas semanas de viagem a hora do almoço desaparece, torna-se naturalmente desnecessária. Não almoçar significa economizar e não ter que interromper o plano de visitas e conhecimento do dia. Perfeito. O viajante não tem horários a não ser os que ele próprio se impõe. Pode viver anárquicamente, sem destino, vaguear, dormir todos os dias até doer o corpo, o que quiser. Mas geralmente o contrário acontece. Torna-se escravo de si próprio. Arranja todo o tipo de visitas inusitadas com saídas antes do nascer do sol, para pegar a melhor luz para a fotografia. Ou então embarca para horas intermináveis num autocarro malcheiroso e duro, ou num comboio atulhado de gente. Um viajante não é turista. E faz questão de marcar a diferença.(continua...)

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